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terça-feira, 17 de junho de 2008

Alegria - Onde Está a Sua?

Pr. Alfrêdo Oliveira[*]

No período carnavalesco, fala-se muito em alegria. Propagam-se lugares e programações onde supostamente a alegria pode ser encontrada e muitas pessoas saem em busca dela, que se revela passageira e muitas vezes enganosa.

Por outro lado, grupos expressivos de cristãos se reúnem em acampamentos e retiros espirituais, onde experimentam uma vivência comunitária. Uns trabalham, outros estão enfermos, alguns aproveitam para freqüentar uma igreja mais próxima de casa, ou simplesmente fogem da agitação da cidade refugiando-se em casas de familiares, na praia ou no campo. Ainda há aqueles que preferem o famoso “acampadentro” (fazer uma programação dentro de sua casa, como assistir a uma seleção de filmes, por exemplo).

No período carnavalesco o que ocorre não é somente uma busca de “alegria”, mas, sobretudo, uma época de fugas. As pessoas fogem de si mesmas ao esconderem-se atrás de máscaras e fantasias, que por vezes revelam o que está no íntimo de cada um; fogem de Deus, ao se jogarem nos braços de Momo, e dos seus seguidores; fogem do próximo, quando o outro é encarado muitas vezes como um objeto de prazer, ou uma companhia agradável que será descartada ao final do baile. Em meio às fugas, as pessoas se refugiam na folia, em acampamentos, entre parentes e amigos.

Há pessoas que, ao correrem atrás dos trios elétricos e blocos carnavalescos, estão na verdade correndo para longe do seu cotidiano, fugindo de sua rotina maçante e sem graça, buscando a alegria que não desfrutam diariamente. Correm atrás de uma alegria que não sobrevive à quarta-feira de cinzas, e que muitas vezes é interrompida bruscamente pela violência, não apenas urbana, mas, lamentavelmente, também pela violência familiar.

Há pessoas que, ao irem a um acampamento cristão, buscam a intimidade e a comunhão – com Deus e com o próximo – que gostariam de experimentar durante todos os dias do ano, e não apenas em um feriado. Na realidade, fogem, talvez, da superficialidade de uma religiosidade dominical, de cultos cheios de pessoas vazias, onde a Palavra de Deus não é mais estudada, explanada, discutida e compreendida, cultos que há muito se tornaram antropocêntricos (centrados no homem) e substituíram o espiritual pelo emocional.

Alegria – Onde está a sua? A questão é a jornada existencial de cada um durante todo o ano e não somente em um feriado.

O ser humano precisa de uma alegria que não se esgote na quarta-feira de cinzas, nem dependa da folia dos blocos carnavalescos, nem da ilusão das drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas. A alegria deve ser encontrada na realização pessoal diária, ao enfrentar e vencer os desafios da vida, ao realizar-se profissionalmente, financeiramente, e emocionalmente.

O ser humano precisa de uma comunhão com Deus, e com o próximo, que não espere o próximo acampamento para acontecer. O cristão e a cristã precisam de uma íntima e profunda comunhão com Deus que passe pelo intelecto e alcance todas as esferas da vida. A alegria do cristão não deve limitar-se à informalidade do retiro, ou acampamento, mas deve ser fruto da reflexão sobre quem somos, e como Deus, sendo quem é, nos amou e salvou.

Alegria deve ser compartilhada através da comunhão experimentada no encontro com Deus, consigo e com o semelhante. Sem máscaras, sem fugas, e encarando a realidade de frente, assumindo os riscos e as responsabilidades do mundo real onde as coisas acontecem, e não na ilusão do carnaval, ou na segurança dos acampamentos.

O Apóstolo Paulo, escrevendo da prisão, ordenou: Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. (Filipenses 4.4). A alegria está na plena consciência de si mesmo, do próximo e de Deus. Soli Deo Gloriæ!

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[*] O Pastor Alfrêdo Oliveira Silva é Professor do STBNB, da AMESPE, e membro Igreja Batista da Capunga, Recife-PE, Brasil. E-mail: alfredo.oliveiras@gmail.com
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