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terça-feira, 17 de junho de 2008

Um dos grandes desafios do magistério, especialmente no começo da vida acadêmica do aluno, é fazê-lo entender a necessidade de aprender e “Somente o professor que aprende bem e continuadamente, pode fazer o aluno aprender”. Não existe mestre melhor do que o exemplo.

Além disso, a legítima capacitação não prescinde a uma atualização constante. O que só é possível pela renovação dos conhecimentos através da reciclagem por isso “Ninguém mais do que o professor, para manter-se profissional, precisa todo dia estudar”, mais do que uma necessidade é uma exigência do mundo globalizado onde vivemos e lecionamos.

No caso específico da educação teológica, o desafio é ainda maior uma vez que o professor precisa estar familiarizado com os teólogos e pensadores do passado, e manter-se em sintonia com o presente, para desta forma ocupar o seu lugar na sociedade pós-moderna como representante legítimo da educação teológica, que anda tão desgastada atualmente. “Para que a educação teológica no Brasil possa encontrar seu rumo, precisamos resgatar a imagem do professor de teologia de nossos seminários”.

“Enquanto o professor se constituir a prova de que a cidadania brasileira não existe, não há o que esperar das escolas, especialmente de nossos Seminários”. Lamentavelmente o homem – e o professor não se constitui em exceção – enquanto produto do meio, anda pessimista quanto a sua função e atuação nos dias de hoje. Esse pessimismo é gerado pelas grandes desigualdades sociais, o que é perceptível também no meio seminarial. Tais diferenças acabam por influir na auto-estima, o que sofre um agravamento se considerarmos o abismo que separa o que se exige do professor, do que lhe é oferecido a título de remuneração. “A remuneração e capacitação do pessoal docente, deve ser a primeira área de aplicação dos recursos da educação”. Quando isso não ocorre o ensino deixa de ser a prioridade da escola, descaracterizando-a.

Um outro fator que obstrue o desenvolvimento do professor é a forma como o ensino é dirigido. “A administração do ensino deve ser feita de maneira participativa, evoluindo daí para um orçamento participativo”. O grande problema é que a instituição de ensino é dirigida de forma autoritária, a variante é a forma oligárquica. Nas duas possibilidades o orçamento, longe de ser participativo, é algo distante quando não misterioso tanto para o discente quanto para o docente. O que acaba gerando problemas de credibilidade para quem administra, e de qualidade para o ensino, uma vez que os mais afetados – e que deveriam ter maior participação – professores e alunos não têm muitas vezes nem voz, nem vez.

Não ter participação, é meio caminho para o desinteresse que acaba gerando a mediocridade na educação, um dos grandes problemas do nosso país. “Não é possível realizar uma educação de qualidade, sem os devidos investimentos nos professores, de outro lado, os meros investimentos não garantem a qualidade, pois a qualidade nasce da qualidade. Sem qualidade de vida, não há qualidade de ensino. Sem remuneração condigna, não há qualidade de vida. Sem qualidade de vida, não há comprometimento efetivo, com a devida dedicação de tempo ao ensino”. Sem realização pessoal não há professor ideal! Desestimulado o professor não contribui para a formação de melhores cidadãos.

É preciso capacitar o professor para que ele desempenhe bem sua missão, e dê a sua parcela de contribuição na construção de uma sociedade mais digna “O plano de capacitação permanente dos profissionais de educação, esbarra no esforço dos empresários da educação, para quebrar o que denominam corporativismo docente, esquecendo-se que é da interação entre os professores que nasce a troca de experiência, em que, em geral, todos aprendem”. É o princípio vigente nas batalhas, é preciso dividir par conquistar! Os donos da educação não são os proprietários do saber, eles sabem que não sabem por isso temem a união dos professores que naturalmente contraria os interesses do capital, que não poucas vezes não coincidem com os do ensino.

Unidos pelo ideal de uma educação libertadora os professores podem dar sua parcela de contribuição à escola. “A participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político-pedagógico da escola, bem como a participação da comunidade escolar no conselho administrativo da escola, é fundamentalmente necessária à gestão democrática do ensino, visto que, por mais eficiente que a direção da escola seja, não poderá pensar pelos professores, como não poderá produzir os conhecimentos que o professor transmitirá em sala de aula”.

Finalizando, o professor ideal não surge do nada, ele surge quando as condições e oportunidades lhe propiciam o amadurecimento no tempo próprio. “Assim como, a árvore que produz frutos, no reino vegetal, bem como o animal que gera e cria seus filhotes no reino animal, precisam ser devidamente nutridos, o professor, para produzir o fruto que as escolas vendem como conhecimento, precisa ser devidamente nutrido, não somente de bens materiais, mas de bens espirituais, como respeito, consideração e valorização da dignidade humana.” Quando este dia chegar estaremos mais próximos de um a sociedade mais justa, de uma escola mais relevante, e de um professor ideal.

(Escrito como uma das atividades da Disciplina Metodologia do Ensino Superior, Mestrado em Teologia no STBNB, Recife, Janeiro de 1998)
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